* Área 51: a base aérea mais secreta do mundo

Fotografia: Galeria da obra-prima do grande engenheiro aeronáutico Clarence "Kelly" Johnson, o Lockheed A-12 e seus derivados, que mais tarde iria evoluir para o SR-71, na plataforma do aeroporto da Área 51, Groom Lake, Nevada, em ou em torno de 1964. Em uma imagem semelhante mas mais próxima é possível confirmar que as rosetas e outras marcas são da Força Aérea dos Estados Unidos, apesar de todas as aeronaves, exceto duas, serem civis. Os números de matrícula foram apagados, aparentemente com um marcador preto aplicado diretamente sobre o papel fotográfico. Ainda assim, é possível tentar inferir quais são as aeronaves presentes: a primeira, à direita, tem no nariz uma sonda pitot aumentada para vôos de teste, pela qual seria o primeiro protótipo do A-12, artigo 121, número de série 60-6924 da USAF, que voou pela primeira vez em 26 de abril de 1962 em Groom Lake, à la Hughes H-4 Hercules (mais conhecido como "Spruce Goose", apesar dos protestos de seu criador e piloto, o grande Howard Hughes) em 1947 nas águas de Long Beach; ou em qualquer caso, seria o segundo protótipo do A-12, artigo 122, número de série 60-6925. No segundo plano na foto está a única aeronava A-12 de dois lugares para treinamento, artigo 124, número de série 60-6927, conhecido como "Titanium Goose", primeiro vôo em 7 de janeiro de 1963. Ele agora está em exibição no California Science Center, em Los Angeles, EUA. Os dois últimos, no fundo, são mais longos e tem nariz diferente, de modo que seriam dois dos três YF-12A para interceptar bombardeiros soviéticos estratégicos, da USAF, números de série USAF 60-6934 e / ou USAF 60-6935 e / ou 60-6936 USAF (dois destes três possíveis). Estas duas máquinas seriam de fato militares. O primeiro vôo de um YF-12 ocorreu em 7 de agosto de 1963. Quando em 29 de fevereiro de 1964 o presidente Lyndon B. Johnson fez público o projeto YF-12, sob o nome de A-11 para confundir o inimigo e sem mencionar os A-12 civis da CIA, dois desses aparelhos de interceptação militar foram imediatamente transferidos para a Base Edwards da Força Aérea, no deserto de Mojave, Califórnia, para manter a imprensa longe de Groom Lake e dos seus preciosos brinquedos secretos. Assim, esta fotografia, que foi mantida secreta por décadas, teria sido tirada em Área 51 entre essas duas últimos datas. Verdadeiramente, o autor Thomas McIninch (um pseudônimo?) refere-se a ela como sendo justamente desse último ano citado. Crédito da foto: Agência Central de Inteligência dos EUA, publicado por McIninch, Thomas P., "The Oxcart Story: record of a Pioneering achievement" em "Studies in Intelligence", Volume 15, Exemplar 1, páginas 1-34 (Inverno de 1971), Figura 2, página 18. Aprovada para divulgação em 1994, CIA Historical Review Program, 2 de julho de 1996.

FOLCLORE DE ALTA TECNOLOGIA: ÁREA 51: A BASE AÉREA MAIS SECRETA DO MUNDO
Em 1989, uma pessoa entrou em contato com um jornalista em Las Vegas alegando que ele temia por sua vida. Ele disse que tinha visto pessoas num carro esperando perto da sua casa ou seguindo os seus movimentos, porque ele tinha trabalhado para o governo dos EUA num projeto super secreto no deserto de Nevada, e agora sabia demais. Ele disse que o projeto em questão tinha relação nada mais e nada menos do que com extratrerrestres.

O denunciante disse que ele era um especialista em sistemas de propulsão avançados, que havia feito dois Mestrados em Magneto-hidrodinâmica, um em Caltech e um no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e anos atrás, havia trabalhado em Los Alamos National Laboratory, onde a bomba atômica tinha sido criada, onde ele conheceu Edward Teller, pai da bomba termonuclear de hidrogênio.

Mas o drama teria começado anos depois, quando morando em Las Vegas e estando desempregado novamente contatou Teller e perguntou se ele poderia ajudá-lhe a conseguir emprego. O denunciante alegou que semanas após o pedido, uma empresa chamada EG & G o chamou para uma entrevista. Ele disse que lhe foi oferecido um emprego no deserto ao norte de Las Vegas, no que é conhecido como o complexo Nellis da Força Aérea, uma área do tamanho da Bélgica, famosa porque décadas atrás tinha servido como campo de testes de bombas atômicas, e pelos exercícios Red Flag, em que aviões da Força Aérea dos EUA simulam guerras aéreas.

ENTRANDO NA TERRA DOS SONHOS

De acordo com o denunciante, ele foi contratado e com uma credencial para lidar com questões super secretas foi para o Aeroporto Internacional McCarran, em Las Vegas, onde ele embarcou num avião que logo após o desembarcava numa das muitas bases dentro de Nellis. Ele disse que saindo do avião foi levado para um ônibus, o qual em seguida andou ao longo de uma estrada de terra por vários quilômetros até a ladeira de uma montanha. Lá, de acordo com essa pessoa, apareceu uma entrada secreta para instalações subterrâneas.

Segundo ele, foi levado para uma sala onde iriam lhe explicar a natureza do trabalho. Ele disse que lhe foi entregue uma pasta, e por um tempo ele foi deixado sozinho, para estudar o seu conteúdo. E aqui a história se torna incrível: nessa pasta contaria-se resumidamente a história de como o governo dos EUA teria entrado em contato com seres inteligentes de outro sistema estelar, e tem atualmente, na própria base onde ele estava, várias naves alienígenas para estudo.

Essa experiência toda teria deixado perturbado ao denunciante, mas aos poucos foi se acostumando com a idéia. Durante as semanas subseqüentes, ele repetiou várias vezes a viagem para a base secreta, onde efetivamente ele teria visto várias das naves em forma de discos, de diferentes modelos e tamanhos. Ele disse que em todo esse tempo nunca viu alienígenas, mas percebeu que eles estavam por perto.

Essa pessoa disse que foi atribuída para ele a tarefa de estudar, sempre escoltado por guardas armados com metralhadoras, os componentes do sistema de propulsão das naves, e que em poucas semanas foi capaz de compreender e explicar a seus superiores o milagre que faz elas tão rápida como para viajar pelo espaço interestelar. Ele disse que, a seguir, agradeceram-lhe pelos serviços prestados e foi dito para ele um até logo.

Muitos pesquisadores têm tentado corroborar o testemunho dele, e assim surgiu o verdadeiro passado deste suposto denunciante, inclusive, que ele nunca tinha ido às universidades citadas, mas era técnico em eletrônica; tinha trabalhado para a Fairchild na Califórnia e foi transferido como servidor terceirizado para Los Alamos, mas sem acesso a programas secretos; que, mais para frente, foi proprietário de um laboratório de revelados fotográficos que acabou na falência; e também que ele teve problemas com a lei em mais de uma ocasião, e tinha mesmo sido condenado por lenocínio.

Tudo isso sem mencionar que as suas "explicações técnicas" não têm pé nem cabeça.

Sua fantástica história teria sido mais uma das muitas histórias relacionadas com OVNIs se não fosse por um detalhe: cinco anos depóis disso a revista Popular Science publicou em sua capa uma fotografia obtida anos atrás por um satélite soviético, onde é possível ver claramente que no local indicado pelo denunciante, um lago seco chamado Groom Lake, sim existe realmente um grande aeroporto, ignorado nos mapas atuais desde há muito tempo. Aquele pedaço de deserto costumava ser catalogado em mapas antigos do governo simplesmente como Área 51, e hoje tornou-se um local de peregrinação para todo tipo de fãs.

AS ESTRANHAS OPERAÇÕES EM GROOM LAKE

Durante os anos 50, 60 e 70 tinham sido dadas informações oficiais, de modo muito geral, acerca de um campo de pouso precário e aparentemente inofensivo em Groom Lake, mas, desde então, um esforço oficial tem sido feito, com muita determinação, para empurrar todo esse lugar sob a sombra do Mundo dos Projetos Negros. O governo dos EUA continuou a manter a boca fechada, mas em meados dos anos 90 foi forçado a abrí-la por única vez por culpa de um revés inesperado: alguns trabalhadores da base iniciaram um processo no judiciário porque tinham sido envenenado por produtos químicos estranhos. Mas a demanda foi cortada porque o governo afirmou que o que estava acontecendo em Groom Lake era segredo de Estado e publicá-lo ameaçava a "segurança nacional".

O segredo começa ainda em Las Vegas: no Aeroporto Internacional McCarran há um terminal privado, visível desde hotéis de luxo, como o Luxor e Tropicana, onde vários aviões 737 sem identificação embarcam e desembarcam discretos passageiros. As matrículas são civis, mas os registros indicam que o proprietário é a Força Aérea. Contando os carros deixados no estacionamento e o número de vôos, estima-se que mais de 1000 pessoas são trasportadas a cada manhã, retornando à tarde. Ouvindo frequências aeronáuticas, pode-se saber que a torre de controle em Las Vegas identifica esses vôos com a designação JANET, e eles geralmente partem indo para Nellis.

Na beira do território de Nellis está o povoado de Rachel, o mais próximo de Groom Lake. Não alcança nem os cem habitantes. Em algum tempo no passado foi uma cidadezinha mineira, mas agora os seus habitantes vivem da criação de ovelhas. No entanto, Rachel tornou-se um ponto turístico, onde já houve convenções de OVNIs e até mesmo por um tempo funcionou um "Centro para o Estudo da Área 51". Hoje, há uma pousada para os visitantes apropriadamente chamado "Little A'Le'Inn", um jogo de palavras em inglês que inclui a palavra "pousada", mas também pode soar "Pequeno Alienígena". Deixando Rachel pela estrada asfaltada, que leva o nome oficial de "Rodovia Extraterrestre", pode-se chegar a um cruzamento com uma estrada de terra, num lugar chamado "A Caixa de Correio Preta", pela antiga cor de uma caixa de correio de um rancho. (Um excelente guia amador é "Dreamland Resort", http://www.dreamlandresort.com). Este é o lugar onde os entusiastas se reúnem com suas câmeras, binóculos e às vezes até com telescópios. Indo para um pico próximo era possível ter uma visão distante da base secreta; isso era antes do governo ter reagido rapidamente, com a expropriação da montanha. Mesmo assim, os fãs têm a chance de ver a atividade nos céus.

E eles têm relatado toda classe de estranhas visões: supostamente, vários tipos de aviões não tripulados; mísseis de cruzeiro invisíveis ao radar; um avião espião hipersônico chamado "Aurora"; um dirigível preto invisível ao radar; um avião espacial chamado de "Blackstar"; canhões de raios estranhos que ionizam o ar; aviões soviéticos obtido por "diversos meios", etc.

Há homenzinhos verdes (ou para atualizar o folclore, cinza) em Groom Lake? Qualquer um que tenha tentado descobrir isso seguindo pela estrada de terra tem-se encontrado, muito antes de qualquer muro, com vários cartazes que alertam a pessoa de que não deve continuar ou virá a sofrer todos os tipos de coisas terríveis: multas, anos de prisão e até mesmo a frase sugestiva de "USO DE FORÇA LETAL AUTORIZADO".

Observando com um pouco mais de atenção as colinas áridas em torno deste caminho, podem-se divisar na distância misteriosos veículos todo-terreno; usando binóculos o turista pode verificar que nestes veículos outros binóculos são apontados em sua direção. Se o turista tirar muitas fotos, pode ser que, do nada, apareça no caminho o xerife local e o leve a uma delegacia de polícia para uma multa. Há relatos de que um helicóptero Blackhawk tem interrompido a passagem de visitantes, os espantando. Um detalhe que pode parecer de um filme de James Bond, mas que é real, é que meio escondidos na beira da estrada de terra que leva para Groom Lake ha tripés, mastros, cabos na areia e outros supostos detectores.

A ORIGEM DESTA BASE

Graças aos esforços de organizações como "Cidadãos contra o segredo sobre UFOs" e da Federação de Cientistas Americanos, foi conseguida a liberação, ao longo dos anos, de vários documentos oficiais, que apesar de estarem severamente editados, ajudaram a desmistificar um pouco esta esquisita base aérea.

A área, assim como o resto do vasto território de Nellis, foi usado durante a Segunda Guerra Mundial como um campo de treinamento de artilharia. Na década de 50 adquiriu um caráter ultra-secreto e de acesso restrito quando começaram a ser testadas ali bombas atômicas.

Naquela época, a CIA estava desenvolvendo um avião espião para missões a grande altitude sobre a União Soviética. Esta era uma questão muito delicada, pois sobrevoar espaço aéreo estrangeiro sem autorização é, no mínimo, uma violação do direito internacional. A aeronave em questão seria mais tarde conhecida como U2. O fabricante responsável, Lockheed, precisava testá-lo, mas teve que encontrar um lugar o mais secreto possível para fazê-lo. O lugar perfeito foi uma das numerosas pistas de pouso improvisadas no território de Nellis, neste caso em Groom Lake, que tornou-se assim num território ainda mais secreto dentro de um território secreto.

Após os tempos do U2, veio o tempo do seu sucessor, o supersônico SR-71, nos anos 60. O lugar era tão bom para essas atividades que para fins dos anos 70 e início dos anos 80 estava sendo testado ali o avião invisível ao radar F-117. O que aconteceu depois que aquela pessoa do ano 1989 começou a fazer muito barulho é um mistério. Alguns especulam que os programas secretos foram transferidos para outras partes dos Estados Unidos, e que a Área 51 continua com a sua agora folclórica classificação de super-secreta só para enganar aos curiosos demais. Mas tudo o que pode-se dizer é que, voando sobre Groom Lake, nunca foi fotografada uma aeronave em forma de disco.

A. L.

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Publicado originalmente no jornal ABC Color, em 19 de Novembro de 2006. Fotografia: Galeria da obra-prima do grande engenheiro aeronáutico Clarence "Kelly" Johnson, o Lockheed A-12 e seus derivados, que mais tarde iria evoluir para o SR-71, na plataforma do aeroporto da Área 51, Groom Lake, Nevada, em ou em torno de 1964. Em uma imagem semelhante mas mais próxima é possível confirmar que os cocares e outras marcas são da Força Aérea dos Estados Unidos, apesar de todas as aeronaves, exceto duas, serem civis. Os números de matrícula foram apagados, aparentemente com um marcador preto aplicado diretamente sobre o papel fotográfico. Ainda assim, é possível tentar inferir quais são as aeronaves presentes: a primeira, à direita, tem no nariz uma sonda pitot aumentada para vôos de teste, pela qual seria o primeiro protótipo do A-12, artigo 121, número de série 60-6924 da USAF, que voou pela primeira vez em 26 de abril de 1962 em Groom Lake, à la Hughes H-4 Hercules (mais conhecido como "Spruce Goose", apesar dos protestos de seu criador e piloto, o grande Howard Hughes) em 1947 nas águas de Long Beach; ou em qualquer caso, seria o segundo protótipo do A-12, artigo 122, número de série 60-6925. No segundo plano na foto está a única aeronava A-12 de dois lugares para treinamento, artigo 124, número de série 60-6927, conhecido como "Titanium Goose", primeiro vôo em 7 de janeiro de 1963. Ele agora está em exibição no California Science Center, em Los Angeles, EUA. Os dois últimos, no fundo, são mais longos e tem nariz diferente, de modo que seriam dois dos três YF-12A para interceptar bombardeiros soviéticos estratégicos, da USAF, números de série USAF 60-6934 e / ou USAF 60-6935 e / ou 60-6936 USAF (dois destes três possíveis). Estas duas máquinas seriam de fato militares. O primeiro vôo de um YF-12 ocorreu em 7 de agosto de 1963. Quando em 29 de fevereiro de 1964 o presidente Lyndon B. Johnson fez público o projeto YF-12, sob o nome de A-11 para confundir o inimigo e sem mencionar os A-12 civis da CIA, dois desses aparelhos de interceptação militar foram imediatamente transferidos para a Base Edwards da Força Aérea, no deserto de Mojave, Califórnia, para manter a imprensa longe de Groom Lake e dos seus preciosos brinquedos secretos. Assim, esta fotografia, que foi mantida secreta por décadas, teria sido tirada em Área 51 entre essas duas últimos datas. Verdadeiramente, o autor Thomas McIninch (um pseudônimo?) refere-se a ela como sendo justamente desse último ano citado. Crédito da foto: U. S. Central Intelligence Agency, publicada originalmente de forma restrita por McIninch, Thomas P., "The Oxcart Story: record of a Pioneering achievement" em "Studies in Intelligence. Journal of the American Intelligence Professional", Volume 15, Exemplar 1, páginas 1-34 (Inverno de 1971), Figura 2, página 18. Aprovada para divulgação em 1994, CIA Historical Review Program, 2 de julho de 1996.

A scientific, very respectful and well-thought reply to the popular question "Do you believe in UFOs?"  This book evolved as a reply to one of the most frequent questions that I used to hear from the public when I was working in an astronomical observatory: "Do you believe in UFOs?". That seems an odd question to ask to scientists, but after researching conscientiously for about a full year, I discovered, to my surprise, that mainstream Science has a few things to say about the topic.  This book is not about conspiracy theory, "NASA is hiding the truth", or much less, that flying saucers have already landed on the lawn of the White House. Rather, it is a book about what is the most rational reply that a scientist, or in my case, a science writer, can offer when people insist on asking that question.  As one advances through the chapters, explores the following rationale: Is there life in the Universe? The answer is yes: us. Are there civilizations capable of spaceflight? The answer is again yes: us. Can we expand those two questions? Can we answer also: "them" and "them"?  All illustrations are also available at naturapop.com