* Qual é a verdade sobre a origem do Universo?

A scientific, very respectful and well-thought reply to the popular question "Do you believe in UFOs?"  This book evolved as a reply to one of the most frequent questions that I used to hear from the public when I was working in an astronomical observatory: "Do you believe in UFOs?". That seems an odd question to ask to scientists, but after researching conscientiously for about a full year, I discovered, to my surprise, that mainstream Science has a few things to say about the topic.  This book is not about conspiracy theory, "NASA is hiding the truth", or much less, that flying saucers have already landed on the lawn of the White House. Rather, it is a book about what is the most rational reply that a scientist, or in my case, a science writer, can offer when people insist on asking that question.  As one advances through the chapters, explores the following rationale: Is there life in the Universe? The answer is yes: us. Are there civilizations capable of spaceflight? The answer is again yes: us. Can we expand those two questions? Can we answer also: "them" and "them"?  All illustrations are also available at naturapop.com











Fotografia: O Telescópio Espacial Hubble é um dos instrumentos modernos que está nos fornecendo informações sobre as regiões mais antigas do Universo, permitindo-nos ver através de milhares de milhões de anos-luz de distância. Crédito: Missão de manutenção STS-82 (ônibus espacial "Discovery") da NASA.

TENTATIVAS DE CONCILIAR CIÊNCIA COM RELIGIÃO: QUAL É A VERDADE SOBRE A ORIGEM DO UNIVERSO?
Há agora um movimento que tenta em vão conciliar Ciência com Religião, desconhecendo que essas duas áreas da vida humana separaram-se cerca de 400 anos atrás, com o julgamento de Galileu Galilei. Mas, sob certas condições e com muita engenhosidade ainda seria possível juntar o bíblico ao conhecimento científico.

Sobre a origem do mundo, a religião judaico-cristã ocidental tem se tradicionalmente referido ao Gênesis, escrito por muitas mãos, mas atribuído a Moisés do Egito por volta do ano 1350 B.C.E..

Em 1701, um acadêmico irlandês chamado James Ussher fixou a cronologia estabelecida no Gênesis pegando datas de diferentes partes da Bíblia e comparando estas datas com vários documentos antigos e fontes arqueológicas. Se o Gênesis é literal e verdadeiro, então de acordo com aquele, a luz, os céus e a Terra foram criados no domingo 23 de outubro do ano 4004 B.C.E., os mares foram criados na segunda-feira, 24 de outubro de 4004 B.C.E., os continentes e as plantas na terça-feira 25 de outubro, o Sol, a Lua, os outros planetas e outras estrelas na quarta-feira 26, os seres aquáticos e os pássaros na quinta-feira 27 e os animais terrestres e o ser humano em 28 de outubro de 4004 B.C.E.. Para o dia 29 de outubro de 4004 B.C.E., o Universo estava pronto e não havia mais nada para ajustar.

No entanto, observando e testando ao longo dos últimos três séculos desde a cronologia de Ussher, vimos que as coisas são um pouco diferentes. A evidência empírica mostra para todos nós, crentes e não crentes, que a criação do mundo (se houver) fica num tempo não observado, antes de o Universo começar uma grande expansão conhecida como Big Bang e da qual surgiu o céu e a luz há 13 700 milhões de anos. As primeiras estrelas surgiram há 13 mil milhões de anos, o Sol há 4900 milhões de anos, a Terra, a Lua e outros planetas há 4600 milhões de anos, a vida aquática iniciou-se há 3600 milhões de anos, os primeiros animais terrestres apareceram há 520 milhões de anos, as primeiras plantas 480 milhões de anos atrás, os primeiros seres humanos há pelo menos 3,18 milhões de anos, os seres humanos modernos 100 000 anos atrás mais ou menos, e até hoje o Universo está constantemente mudando e evoluindo sem sabermos bem para onde ele vai.

Antes de acusar um ou outro lado de mentiroso, talvez possamos fazer um exercício mental e tentar ver em que condições poderiam explicar-se essas discrepâncias.

SE A BÍBLIA É LITERAL

Uma opção é que o Gênesis é realmente verdade, e o Universo foi criado na semana de 23 a 29 Outubro do ano 4004 B.C.E., mas Deus o criou de um jeito tal para que simplesmente parecesse ter milhares de milhões de anos, apenas para testar a inteireza da nossa fé. Esta teoria parte do pressuposto de que Deus é todo-poderoso e, portanto, poderia criar pistas falsas para nos fazer acreditar que o Universo é muito antigo, quando na verdade tem apenas cerca de 6000 anos. É uma linha de pensamento semelhante a dizer que os fósseis de dinossauros foram na verdade obra do Diabo para enganar os seres humanos, ou o caso do padre que se recusou a olhar pelo telescópio de Galileu porque aquele disse que era um instrumento satânico e não se pode saber a verdade sobre o Universo através dele.

Mas falando mais a sério, ninguém estava nos primórdios do Universo para saber como ele realmente era, ou como ele evoluiu. Tudo o que podemos fazer é assumir que o Universo era de uma certa maneira, pelo entendimento de como ele funciona atualmente e assumindo que vem atuando da mesma forma desde que ele surgiu. Mas se as "leis" da natureza são arbitrárias e caprichosas e em constante mudança, porque Deus teria o poder de fazer toda e quanta mudança quiser e no momento que ele quiser, então não temos nenhuma maneira de saber como o Universo era no passado, quando foi esse passado, nem o que mudou desde lá. No entanto, não há nenhuma evidência de fora as histórias religiosas para apoiar este pressuposto. O mais simples é pensar que a evidência física que temos à mão são reais e não uma farsa ou frutos de miragem.

SE A BÍBLIA É UMA METÁFORA

A outra possibilidade é que o Gênesis é apenas uma metáfora e o Universo realmente foi criado por Deus no Big Bang 13 700 milhões atrás, de modo que a Ciência e Religião estão em concordância. Isto é o que provavelmente acha a maioria da população, e é uma boa tentativa de conciliar a necessidade de viver num mundo moderno, cercado e dependendo da Ciência e da Tecnologia, com a cultura religiosa herdada ou adquirida segundo as necessidades emocionais ou espirituais de cada pessoa. Mas ainda assim, há dois problemas: um é que, se a Bíblia não é literal, mas agora ela está sujeita à interpretação de cada um segundo os tempos mudam e o conhecimento científico avança, vai ficar difícil decidir qual parte da Bíblia é literal e quanto é puramente inventado ou exagerado. Devemos lembrar que muitos ainda dizem que Jesus de Nazaré podia fazer milagres "sobrenaturais" reais e não meros truques ilusionistas, e que ele sim ressucitou dentre os mortos e não que seu corpo foi roubado ou escondido por fãs ou lançado na Geena. Ver a Bíblia segundo a conveniência do momento tira credibilidade dela.

Comumente esta hipótese ainda implica que Deus teve um papel no destino do Universo, seja criando as "leis" iniciais da natureza ou guiando a evolução desta ou daquela maneira. É dito ainda que Deus não pára de influenciar a vida diária das pessoas até hoje. Mas agora o problema é que Deus não chega a ser tão caprichoso ou poderoso como no cenário anterior: ele tem que respeitar certas regras, certas "leis" da natureza para que o Universo tenha consistência e não seja algo caótico, impossível de prever. Nesta hipótese a vontade de Deus é limitada. Quais são esses limites, e porque são esses e não outros? Porque as "leis" da natureza são as que são, e não outras? Até o momento, não vemos uma explicação para isso. De fato, o próprio Darwin descobriu que a evolução realmente é aleatória e não ditada por alguém com um propósito. Das muitas mutações que existem no mundo natural, algumas sobrevivem e outros não. O drama da Vida é imprevisível e não há um roteiro dado por alguém que é seguido à risca. É o que observamos, e fora os âmbitos religiosos, não há nada que nos diga que estamos errados.

Se ambas dessas especulações são falsas, então segue que ou a Religião é falsa ou a Ciência é falsa.

CIÊNCIA E RELIGIÃO: FILOSOFIAS OPOSTAS

Quando fala-se acerca de Ciência e Religião, nunca é de se esquecer que, apesar de que tanto uma quanto a outra buscam a verdade, elas utilizam sistemas de pensamento totalmente diferentes. A Religião admite que a verdade vem de "lá de cima", através de uma revelação divina que certos intérpretes (as autoridades religiosas) são responsáveis ​​de apresentar e explicar ao público.

A Ciência é muito diferente, porque ela não admite a existência de qualquer autoridade à que deve prestar-se atenção, nem de qualquer conhecimento do mundo exterior que possa chegar até nós através da reflexão interior. Assume-se que o mundo é como é e não como gostaríamos que fosse, ou seja que para conhecê-lo não temos o imperativo de ouvir grandes estudiosos nem de atender a antigas tradições, mas temos que olhar o que está ao nosso redor. Temos que observar, tocar, provar por nós mesmos. É a experiência e não a teoria a que nos diz a verdade sobre o mundo que nos rodeia.

É natural, portanto, que a Ciência exija que todas as histórias sobre a origem do mundo, independentemente da fama, respeito ou nível hierárquico que tem a pessoa que propõe a explicação, baseia-se principalmente em coisas que todos os outros podem ver e tocar para eles mesmos, sem recorrer a ter de confiar ou não no relato ou em quem o relata. A Ciência é inerentemente cética. Na verdade, o ceticismo, que é desaprovado pelas religiões, é uma qualidade essencial de um bom cientista. "Se eu não vir, se eu não colocar o meu dedo, e se eu não colocar a minha mão, eu não acreditarei" é uma das frases que melhor exemplifica os diferentes pontos de vista entre Ciência e Religião: para a Ciência essa é uma atitude correta e desejável, para a Religião é uma atitude errada e repreensível.

A. L.

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A partir de uma palestra ministrada na USP, em 12 de outubro de 2002. Originalmente publicado no jornal ABC Color em 16 de setembro de 2007. Fotografia: O Telescópio Espacial Hubble é um dos instrumentos modernos que está nos fornecendo informações sobre as regiões mais antigas do Universo, permitindo-nos ver através de milhares de milhões de anos-luz de distância. Crédito: Missão de manutenção STS-82 (ônibus espacial "Discovery") da NASA.

A scientific, very respectful and well-thought reply to the popular question "Do you believe in UFOs?"  This book evolved as a reply to one of the most frequent questions that I used to hear from the public when I was working in an astronomical observatory: "Do you believe in UFOs?". That seems an odd question to ask to scientists, but after researching conscientiously for about a full year, I discovered, to my surprise, that mainstream Science has a few things to say about the topic.  This book is not about conspiracy theory, "NASA is hiding the truth", or much less, that flying saucers have already landed on the lawn of the White House. Rather, it is a book about what is the most rational reply that a scientist, or in my case, a science writer, can offer when people insist on asking that question.  As one advances through the chapters, explores the following rationale: Is there life in the Universe? The answer is yes: us. Are there civilizations capable of spaceflight? The answer is again yes: us. Can we expand those two questions? Can we answer also: "them" and "them"?  All illustrations are also available at naturapop.com